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quinta-feira, maio 26, 2005

VIP

Entrevista VIP de 27 de Abril de 2005

Raquel Carrilho


Sofia Aparício tem um sorriso aberto, sincero, mas tem uma expressão de olhar entristecida. Sempre teve e por isso sempre a apelidaram de ‘menina dos olhos tristes’, No entanto, são essas tristezas que, ao longo de quase 35 anos, fizeram a sua força e as suas alegrias.
Manequim de sucesso durante mais de duas décadas, tem-se afirmado nos últimos anos como actriz de teatro e agora na telenovela Ninguém como tu, no papel de Guida.


Vip – Como tem estado a correr esta experiência?
Sofia Aparício – Em termos do meu trabalho, prefiro que sejam os outros a julgar. Porém, estou a gostar muito de fazer e estou a aprender imenso. O que gosto mesmo de fazer é teatro.

Tem sido difícil construir esta personagem que aparentemente não tem nada a ver consigo?
É difícil, mas gosto muito de construir personagens que não tenham muito a ver comigo.

A Sofia já fez um implante mamário. Foi a única cirurgia que fez?
Foi. Tinha 17 anos. Fiz porque quis e já não tenho mas nada para dizer sobre isso.

Com o caminhar para os 40 põe a hipótese de voltar a submeter-se a uma operação?
Farei sempre tudo o que estiver ao meu alcance, para contribuir para o meu bem-estar. Seja o que for. Se me sentir bem sem um dedo, corto-o e não pergunto nada a ninguém.

A ideia da beleza foi algo com que lidou mal, no sentido em que nunca se considerou bonita?
Não sou nem me sinto bonita. Sei que, quando quero, posso ter bom aspecto e acho que foi isso que me safou como manequim. Fui sempre boa profissional.

Já passaram 8 anos da sua estreia como actriz em A Dama das Camélias. A representação é mesmo o caminho a segui?
Sim. Contudo, se correr mal, faço-me à vida de outra maneira.

Sente que já lhe dão crédito com actriz?
Há pessoas a quem dou muitíssimo crédito, que me dão algum crédito como actriz e isso, para mim, parece quase irreal, mas é muito bom.

Tanto a moda como a representação são mundos onde, às vezes, não há trabalhão nem dinheiro. Sente isso?
Sinto. Tenho medo de às vezes não conseguir pagar as minhas contas. Quando comecei a ser manequim, ninguém ganhava a vida assim e eu ganhei. Como actriz, tenho a esperança de fazer o mesmo. Alem, de que não tenho medo nenhum de trabalhar nem acho que com isso deixo de ser quem sou, filha do meu pai e da minha mãe – pois não sou mais do que isso. Se tiver de ir servir às mesas para ter dinheiro, vou.

Por necessidade, imagina-se a fazer coisas que pensava que não faria?
Nunca digo desta água não beberei, mas com limites. A necessidade não deita por terra os meus limites. Já passei uma altura em que não tina dinheiro e convidaram-me para fazer uma coisa em que pagavam muitíssimo bem – ao ponto de deixar de ter problemas de dinheiro e não aceitei.

Nunca se pensa que pode chegar ao fim do mês sem dinheiro para pagar as contas. Já aconteceu?
Claro que já! Saí de casa com 19 anos e já dividi casa com amigos, já vivi numa pensão, já tive casinhas pequeninas e grandes. Porém gosto de viver com todas as dificuldades que a vida tem, porque isso só me faz crescer como pessoa.

Ainda volta ao ninho quando precisa de mimos?
Não sou muito de pedir mimos, mas sei que basta um olhar do meu pai ou uma palavra da minha mãe para ficar bem disposta. Quando sinto necessidade de mimos não vou a casa dos meus pais. É uma regra que criei quando sai de casa, por muito que me custe e me torne a vida mais difícil.

Nunca houve ninguém na sua vida que fosse importante ao ponto e a fazer abdicar da sua liberdade?
Da minha liberdade não há ninguém que me faça abdicar e alguém que seja mesmo importante tem de me dar liberdade.

Mas já amou ou ama alguém?
Amo muito, sempre. Quando gosto, gosto incondicionalmente. É claro que esta disponibilidade para mar, magoa-me imenso mas é assim que tem de ser. Prefiro sofrer do que não sentir.

Sempre disse que para si o mais importante na vida é a bondade ainda assim sempre se movimentou em mundos onde a bondade não é propriamente o mote…
Sim. Tenho pavor de injustiças e acho que isso foi o que me foi aguentando ao longo da vida, porque obviamente que me dei com pessoas horríveis, hipócritas, más e desonestas. Porém não me posso trair pois estou condenada a dormir comigo todos os dias.

Nunca teve a tentação de aceitar, e ir pelo caminho mais fácil?
Não. Segui o caminho mais curto e ganhar dinheiro mais fácil, para mim, é o mais difícil. A hipótese de me vender não se coloca. Essas situações são muito fáceis de resolver porque não são essas as minhas ambições.

Das várias tentações com que se foi deparando ao longo da vida alguma foi a droga?
Tive experiências com a droga, mas nunca estive à beira do precipício, nunca me viciei. E já lá vai algum tempo.

Um dos seus grandes amigos, o estilista José Carlos, morreu há pouco tempo. Sente muitas saudades?
Muitas… Tenho a sorte de ter tido na minha vida pessoas muito especiais e ele era uma delas.

Outro assunto recorrente quando se fala do mundo da moda e também da arte é a homossexualidade…
Lido de forma absolutamente normal com isso, tenho muitos amigos homossexuais e acho que todos devem ter a sua vida.

São essas fraquezas que fazem de si a menina dos olhos tristes como sempre lhe chamam?
A Sofia é uma pessoa triste, mas nem sei muito bem porque…

Sem comentários:

Representação

2014 - "Água de Mar", novela RTP1, personagem Maria Eduarda
2013 - "A mãe do sr. ministro", série RTP1, espisódio 12, secretária de Estado
2013 - "Os nossos dias", novela RTP 1, Simone, prostituta de luxo
2013 - "Maternidade", sitcom RTP 1, empregada de supermercado, episódio 26
2012 - "A Família Mata", sitcom SIC, dona de um cão, episódio 61
2012 - "O que as mulheres querem", personagem: Patrícia. Filme da TVI de Andreia Vicente e Alexandre Castro
2011 - "Mistérios de Lisboa", mini séria RTP 1, Condessa de Penacova, episódio 2
2011 - "Bom, muito bom, supreme", curta metragem de Diogo Andrade e Tiago Carvalho
2011 - "Cambraia", curta metragem, de Maria João Freitas, personagem Matilde
2011 - "O Viajante" de Ricardo e Telmo Martins, Curta Metragem
2011 - ''E o Tempo Passa'', protagonista do filme de Alberto Seixas Santos, selecção oficial 14º Shanghai Film Festival
2010 - "Cidade Despida", série policial da RTP1, 8.º episódio, personagem: Vanda Dinis
2010 - "Mistérios de Lisboa", longa metragem de Raul Ruiz, personagem: Condessa de Penacova
2009 - "Contrato", longa metragem de Nicolau Breyner, personagem: Mónica Thanatos
2008 - 2009 - "Rebelde Way", novela juvenil para a SIC, Sofia é Pipa
2008 - "Vip Manicure", sitcom da SIC, Sofia Aparício
2007 /2008 - "O Bosque", encenação de João Lopes, Teatro Aberto, Sofia é "Ruth"
2007 - "Vingança", novela SIC, de Rodrigo Riccó, personagem Ermelinda Luz
2006- 2008 - "Aqui não Há quem Viva", sitcom SIC, personagem Bia
2005-2006 - "Ninguém como Tu", novela TVI, 194 episódios, de António Moura Matos, personagem Margarida 'Guida' Martins
2005 - "Noite Branca", curta metragem de Gil Ferreira
2004 - "Paisagens Americanas", teatro Aberto, encenação de João Lopes e Rui Tendinha
2003 - "O Caracal", Artistas Unidos
2003 - "Rádio Relâmpago", filme de José Nascimento, personagem Mariana Saavedra
2003 - "O último beijo", novela TVI, personagem Vera, 6 episódios
2003 - "A Filha", filme de Solveig Nordlund, participação
2003 - "I'll see you in my dreams", curta-metragem de Miguel Ángel Vivas, personagem Ana
2001/2002 - "Fúria de Viver", novela SIC, de Lourenço de Mello, personagem Cristina
2002 - "Um estranho em casa", sitcom RTP1, de Manuel Amaro da Costa, personagem Laura
2000 - 2001 - "Super Pai", sitcom TVI, Mafalda
2000 - "A última batalha", Teatro Aberto, encenação de Fernando Heitor, personagem Leonor Távora
2000 - "Senhora Ministra", sitcom RTP, Vera
1999 - "Mal", filme de Alberto Seixas Santos, participação
1999 - "Uma casa em fanicos", sitcom RTP1, personagem Xana
1998 - "Médico de Família", sitcom SIC, de Manuel Amaro da Costa, primeiro episódio: uma questão de imagem, Tina
1998 - "A mulher do senhor ministro", sitcom RTP1
1997 - "Não há duas sem três", sitcom RTP1, de José Rodrigues, personagem Manuela, primeiro episódio: os seios de Vera
1997 - "A Dama das Camélias", Auditório do Casino Estoril, encenação de Carlos Avillez, personagem Margarida Guatier